Sentada no silêncio ensurdecedor de uma sala praticamente vazia, me pego devaneando sobre possibilidades, sobre as palavras não faladas, o futuro incerto, a vontade grandiosa do grande.
O que é ser grande, afinal? É só grande se comparado, e se comparado, talvez já perca a grandiosidade por si só, porque quando se compara, de que adiantam as unidades de medida?
Sobre aquele beijo dado no teu pescoço, sobre a saliva trocada, sobre aquele momento de intimidade, que de íntimo não tinha nada, era nudez, não era intimidade, engana-se quem acha que nudez é intimidade.
A verdadeira intimidade é construída num plano tão cósmico, sacral, que as roupas, na verdade, a presença delas ou não, nem é uma questão de fato. Os orifícios são outros, a penetração é visceral, não fálica, estereotipada.